sexta-feira, 6 de setembro de 2013

A alta do dólar e a logística

Desde 2008 n√£o registramos uma alta da moeda americana t√£o significativa quanto nessa segunda quinzena de agosto. A equipe econ√īmica brasileira tenta conter a escalada do d√≥lar em meio a uma desacelera√ß√£o comercial que o Brasil vem experimentando ap√≥s uma √≥tima temporada de crescimento findada h√° dois anos.

Muitos defendem que a alta do d√≥lar e a desacelera√ß√£o comercial est√£o intimamente ligadas, mas n√£o √© bem assim. O Brasil parece ter se iludido que, ap√≥s a crise americana em 2008 e as suscet√≠veis crises no cen√°rio europeu, a “enxurrada” de d√≥lares com destino ao Brasil seria atrelada a uma condi√ß√£o de crescimento perfeitamente controlada pelo Minist√©rio da Fazenda. Prova que n√£o foi bem assim que, por v√°rias vezes, de forma at√© irritante e que provocaram desconfian√ßas dos investidores, esse minist√©rio reavaliou a taxa de crescimento mostrando um despreparo devido falta de planejamento. Na verdade, o com√©rcio necessita de inova√ß√£o e planejamento para suportar impactos cambiais que afastem os investimentos.

Com o ensaio da retomada do curso da economia americana e de alguns países europeus, os investidores retornam e levam consigo aquilo que, infelizmente, nos acomodou e nos deixou pensar que o superávit da nossa balança comercial seria suficiente de maneira a não precisarmos inovar nossa logística.

Foi importante para o aumento das reservas em d√≥lar, mesmo n√£o aumentando com o mesmo volume que 2012, o primeiro semestre de 2013 fechou com uma reserva de mais de US$ 371 bi. Contudo, s√≥ em julho deste ano, mais de US$ 7,5 bi foram utilizados para segurar a cota√ß√£o. A maior preocupa√ß√£o √© com a d√≠vida comercial contra√≠da com uma cota√ß√£o e paga com outra. S√≥ para lembrar, no final de 2012 a cota√ß√£o do d√≥lar fechou em R$ 2,04, e em agosto de 2013 j√° beira R$ 2,50; uma alta de mais de 22% que obriga o Banco Central a injetar mais d√≥lares no mercado para combater a desvaloriza√ß√£o do Real e as especula√ß√Ķes.

A situa√ß√£o parece incerta. Mas, √© certo que os Estados Unidos e alguns pa√≠ses europeus saem da crise com um setor produtivo mais forte, com uma log√≠stica voltada √† inova√ß√£o – diferentemente do Brasil que n√£o investe como deveria para deixarmos de ocupar as primeiras posi√ß√Ķes do ranking da log√≠stica mais cara do mundo. O pior exemplo √© o escoamento da produ√ß√£o de gr√£os no Mato Grosso. O Brasil destina 44% do peso por tonelada da soja para o frete contra 26% dos Estados Unidos – e com uma retomada na taxa de crescimento que obrigar√° os pa√≠ses emergentes como o Brasil, R√ļssia e √ćndia a se contentarem com taxas menores que 1,5%. O que refor√ßa essa l√≥gica √© o inevit√°vel aumento das taxas de juros americanos que levar√£o o restante dos nossos investidores que buscam mais seguran√ßa e liquidez.

O sacrif√≠cio √© sempre mais acentuado na √°rea da log√≠stica, pois sem a possibilidade de reduzir custos n√£o h√° como competir. Pior ainda na log√≠stica de transportes que fica condicionada √†s decis√Ķes de outros mercados de encarar ou n√£o a flutua√ß√£o cambial. Para esse setor n√£o h√° escolhas e ainda se obriga a enxugar mais suas opera√ß√Ķes para somar √† decis√£o do seu cliente em correr o risco em um neg√≥cio que exige a cautela tanto quanto o conhecimento.

Claro que isso paira sobre todos os mercados. Afeta a economia e o bolso do brasileiro de forma muito direta. V√™m √† tona fantasmas que n√£o queremos nem lembrar. √Č uma realidade que precisamos enfrentar, sem pessimismo, mas com a no√ß√£o de que o otimismo do governo tem seus riscos e seus prop√≥sitos.

Ter√≠amos aproveitado bem mais esse momento se n√£o precis√°ssemos tanto de qualifica√ß√Ķes. Se n√£o tiv√©ssemos tantas falhas na educa√ß√£o e na forma√ß√£o profissional, estar√≠amos com o “card√°pio” pronto e n√£o elaborando depois de adquirirmos os ingredientes. O pior √© que ainda n√£o o elaboramos. E agora os ingredientes est√£o mais dif√≠ceis. N√£o est√°vamos preparados para aprender com a hist√≥ria das vacas magras. Faltou-nos a lideran√ßa e a sabedoria similar a de Jos√© do Egito pelo menos para perguntarmos: E agora Jos√©?

Fonte: http://www.logisticadescomplicada.com



Escrito Por :
Foi Coordenador de Logística na Têxtil COTECE S.A.; Responsável pela Distribuição Logística Norte/Nordeste da Ipiranga Asfaltos; hoje é Consultor na CAP Logística em Asfaltos e Pavimentos (em SP) que, dentre outras atividades, faz pesquisa mercadológica e mapeamento de demanda no Nordeste para grande empresa do ramo; ministra palestras sobre Logística e Mercado de Trabalho.

em : domingo, 25 ago, 2013


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