sexta-feira, 29 de junho de 2012

Telefonista: o cart√£o de visita das organiza√ß√Ķes

Muito mais do que efetuar liga√ß√Ķes, a telefonista √© a voz da empresa em que trabalha. Seu dia √© comemorado em 29 de junho, mesmo dia de S√£o Pedro. Em uma passagem b√≠blica, Jesus diz a S√£o Pedro que o santo possui a chave do c√©u, citando que “tudo que for ligado na Terra, ser√° ligado no c√©u”. Por conta da analogia com a fun√ß√£o da telefonista, o dia de S√£o Pedro tornou-se a data comemorativa da profiss√£o.

Operar equipamentos, atender, transferir, cadastrar e completar chamadas telef√īnicas locais, nacionais e internacionais, comunicando-se formalmente em portugu√™s e/ou l√≠nguas estrangeiras s√£o suas principais fun√ß√Ķes. A telefonista representa a companhia em todos os sentidos. Uma boa profissional colabora para a empresa conquistar clientes e agrega valor √† marca, tornando-se a porta de entrada das organiza√ß√Ķes. “Ela deve ter uma prepara√ß√£o t√©cnica de postura e bom tom de voz. Por lidar diretamente com pessoas, deve manter sempre a educa√ß√£o para causar uma boa impress√£o e conduzir de forma satisfat√≥ria este contato entre pessoas e empresa”, indica Cenise Monteiro de Moraes, diretora da Federa√ß√£o Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Telecomunica√ß√Ķes (Fenattel).
Com o atendimento autom√°tico e a chegada das novas tecnologias, a telefonista perdeu espa√ßo e houve uma redu√ß√£o da categoria nos √ļltimos tempos. Por√©m, em grandes empresas, ainda √© muito comum encontrarmos esta profissional.
O cargo de telefonista se modernizou e se expandiu. Elas s√£o, em sua maioria, do sexo feminino, com cerca de 90% das ocupa√ß√Ķes da classe. Os segmentos que mais contratam estas profissionais s√£o as grandes multinacionais, hot√©is, radiot√°xis, institui√ß√Ķes de ensino e hospitais. De acordo com a diretora, humanizar a empresa √© uma das fun√ß√Ķes da telefonista. “Ela √© a pessoa que recebe liga√ß√Ķes, escuta os clientes e fornecedores, e que anota recados e transfere liga√ß√Ķes com mais agilidade”, conta.
Conhecer bem a empresa como um todo √© fundamental para a profiss√£o. Ter destreza e boa mem√≥ria tamb√©m colaboram muito para a execu√ß√£o do trabalho. √Č importante conhecer todos os departamentos e ter muita toler√Ęncia. “√Äs vezes, atendemos pessoas alteradas e √© necess√°rio ter paci√™ncia e jogo de cintura nestas situa√ß√Ķes. Ent√£o, o atendimento deve ser feito com profissionalismo e regularidade”, explica Cenise.
A fun√ß√£o de telefonista tamb√©m serve como porta de entrada para o mercado de trabalho, apesar de muitas empresas exigirem profissionais j√° experientes para ocupar o cargo. “Muito jovens s√£o recrutados e preparados pelas pr√≥prias companhias por meio de treinamentos. Existem tamb√©m casos de pessoas que querem voltar a trabalhar e procuram esta fun√ß√£o para retomar a carreira”, aponta.
Para atuar na fun√ß√£o, n√£o h√° exig√™ncias quanto √† forma√ß√£o. No entanto, √© importante que o profissional tenha o ensino m√©dio completo, bons conhecimentos na l√≠ngua portuguesa e facilidade de comunica√ß√£o – saber outros idiomas √© um diferencial no momento da contrata√ß√£o. “Ter flu√™ncia verbal e ser comunicativa s√£o compet√™ncias b√°sicas. A quest√£o da vestimenta tamb√©m √© muito valorizada e as empresas exigem profissionais bem uniformizadas”, diz Virg√≠nia Berriel, diretora do Sinttel-Rio (Sindicato dos Trabalhadores em Telecomunica√ß√£o do Estado do Rio de Janeiro).

Futuro na profiss√£o

Por n√£o haver muitas possibilidades de crescimento na carreira, a fun√ß√£o de telefonista acaba servindo como um trampolim para outras √°reas e cargos em uma organiza√ß√£o. Muitas pessoas exp√Ķe a capacidade de executar tarefas mais complexas e acabam migrando para outros departamentos. Mostrar interesse em progredir √© fundamental. Criar relacionamentos com outros funcion√°rios e ter aten√ß√£o a processos internos de promo√ß√£o tamb√©m s√£o dicas interessantes. Segundo Berriel, existe a possibilidade de ascens√£o no caso de se tornar uma telefonista bil√≠ngue ou tril√≠ngue. “Algumas empresas possuem grupos maiores de profissionais que demandam uma supervisora, mas isso n√£o acontece muito”, pondera.
A profissional tem a consci√™ncia da limita√ß√£o da atividade e, muitas vezes, possui dois empregos. A jornada de trabalho de uma telefonista √© de seis horas, o que permite maior flexibilidade de hor√°rio. “Por lei, a jornada m√°xima √© de 36 horas semanais e o Sindicato n√£o recomenda ultrapassar este limite por quest√Ķes de estafa e sa√ļde”, comenta a diretora do Sinttel-Rio.

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