quinta-feira, 12 de abril de 2012

Leia o artigo do Prof. Ronaldo F√°vero: "O que se pode fazer com uma Espinha de Peixe?"


O que se pode fazer com uma Espinha de Peixe?

Introdução

Apesar da técnica Espinha de Peixe ter sido criada há tempos atrás, pouca gente sabe aplicá-la bem.
Seu idealizador foi Kaoru Ishikawa, cujo método de identificar a causa dos defeitos na produção é utilizado para investigar os diversos M como causas potenciais de um problema:
(M)aterial = os insumos produtivos;
(M)√°quina = o equipamento produtivo;
(M)étodo = o processo produtivo;
(M)√£o-de-obra= o operador da m√°quina;
(M)edição = o método de controle;
(M)eio-ambiente = a influência do meio-ambiente (laboral) na produção;
(M)oney = recursos financeiros.
O que se busca com o uso da t√©cnica s√£o as rela√ß√Ķes de causa x efeito.
O que um n√ļmero ainda menor de pessoas sabe √© que esta ferramenta pode ser utilizada para o planejamento de um processo ou para a an√°lise de um efeito positivo.

Situa√ß√Ķes inesperadas e/ou indesejadas

As empresas e as pessoas se deparam, no dia-a-dia com situa√ß√Ķes indesejadas e/ou inesperadas. Estes eventos s√£o chamados, frequentemente, de problemas. A rea√ß√£o a estas ocorr√™ncias varia, e muito, entre diferentes pessoas e empresas.
Quanto mais próximo do culpado, mais longe da solução.
Gostaria que esta frase fosse de minha autoria, mas n√£o √©. Ela exemplifica uma das rea√ß√Ķes poss√≠veis aos problemas : procurar culpados. Esta abordagem consome muita energia e, normalmente, n√£o d√° bons resultados na solu√ß√£o dos problemas, nem nas quest√Ķes de relacionamento entre os membros da equipe.
Pode-se, ainda, culpar o destino, a concorrência, o Governo, as forças da natureza, etc. ou tomar as rédeas da situação e partir para a investigação das possíveis causas que motivaram a situação indesejada.

Causas raízes

Note que a palavra causa foi escrita no plural, pois em praticamente 100% dos casos de eventos indesejados e/ou inesperados, atuam mais que um fator. Esta √© uma das explica√ß√Ķes poss√≠veis da reincid√™ncia de um problema, quando se considera somente uma causa.
Outra quest√£o relevante s√£o as causas ra√≠zes. √Č f√°cil entender o porqu√™ deste nome : n√£o se deve ficar somente na an√°lise superficial - deve-se ir a fundo.

5 por quês?

Para se investigar as causas raízes pode-se utilizar outra ferramenta conjugada ao diagrama espinha de peixe : os 5 por quês ? .
Diz a teoria que, ao responder o quarto ou o quinto por quê?, chega-se à raiz (de cada uma das causas).

Abordagem multidisciplinar e Gemba

O discurso parece antigo, mas não é :
1) Deve-se utilizar uma equipe multidisciplinar para a solução de problemas
2) Deve-se ir ao Gemba (palavra japonesa que significa lugar onde as coisas acontecem)
Se parece antigo, por que tanta gente insiste em tentar usar sozinha a técnica e longe de onde as coisas acontecem? (exemplo, no escritório, ao invés de na Produção).
Uma Montadora de ve√≠culos apresentou, aos quase 500 fornecedores da √©poca, na d√©cada de 90 (isto mesmo, no s√©culo XX, lembra?), uma t√©cnica chamada CEDAC (em portugu√™s, Diagrama Causa Efeito com Adi√ß√£o de Cart√Ķes). A t√©cnica era simples : um quadro grande, com um diagrama espinha de peixe desenhado e com o efeito (problema) descrito. Cart√Ķes autocolantes eram disponibilizados, para que qualquer Colaborador pudesse participar, escrevendo uma ou mais causas poss√≠veis e afixando o cart√£o no M correspondente. A vantagem era que uma id√©ia de um colega inspirava a id√©ia dos outros. N√£o haviam id√©ias proibidas. Um coordenador do CEDAC, ent√£o, transcrevia as informa√ß√Ķes para um formul√°rio estruturado.
Sou fã deste tipo de técnica.

Exemplo pr√°tico 1


Imagine que você tenha feito uma compra pela Web e que, ao receber o produto em casa, descobre que lhe foi entregue o produto errado. Ao reclamar/notificar a empresa, a mesma, internamente, inicia uma investigação do que ocorreu, utilizando as técnicas citadas anteriormente.



Método


M√£o-de-obra



Meio-ambiente



Gerenciamento (Management)



Plano de ação

√Ä partir da identifica√ß√£o das poss√≠veis causas ra√≠zes, deve-se elaborar um plano de a√ß√£o, com a defini√ß√£o de respons√°veis, prazos e a√ß√Ķes, para eliminar estas causas.

Resultados desejados/planejados

O que pode causar surpresa para muitos dos nossos leitores é a possibilidade de utilização do diagrama espinha de peixe no planejamento da obtenção de um bom resultado, por exemplo, o alcance de uma meta.

Exemplo pr√°tico 2

Pretende-se aumentar a disponibilidade de uma máquina ou de um equipamento de 65% para 70%. Vamos assumir que a disponibilidade é: (tempo em uso/tempo total)*100.
Exemplo 2



Para cada causa potencial, deve-se estabelecer a√ß√Ķes detalhadas, prazos e respons√°veis.

Conclus√£o

Para finalizar :
O conhecimento por si s√≥ de nada vale. √Č a sua aplica√ß√£o para fins pr√°ticos que lhe d√° a sua valia.
Outra frase que não criei. Esta está na Bíblia.
Quem não conhecia estas técnicas/ferramentas, agora conhece. Quem não lembrava, agora foi reapresentado para as mesmas. Quem achava que era difícil ou complicada a aplicação, deve ter mudado de idéia.
Então, o recado é claro : mãos à obra, quando ocorrer um problema que precisa ser resolvido ou quando se quiser atingir um resultado positivo .
Utilizem estas poderosas ferramentas.
Até mais !

Ronaldo de F√°vero
Cursando MBA em Gest√£o de RH - INPG S√£o Paulo
- Consultor em Gest√£o Empresarial desde 1992
- Atuação em Sistemas de Gestão Integrada, Governança Corporativa e Gerenciamento Interino
- Pós-graduado em Qualidade, Especialista em Meio-ambiente e Graduado em Matemática
- Pós-graduando em Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis
- Ex- Professor de pós-graduação da FEI - Faculdade de Engenharia Industrial

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