quarta-feira, 21 de março de 2012

E-commerce movimenta logística reversa no Brasil

A devolu√ß√£o de mercadorias produzidaspelo e-commerce gera uma crescente demanda por servi√ßos de retorno de produtospor quest√Ķes legais ou como uma maneira de fideliza√ß√£o.


A visibilidade da Logística
Reversa tem se acentuado nos √ļltimos anos em todo mundo e no Brasil em fun√ß√£o
da enorme quantidade e variedade de produtos, com ciclos de vida cada vez mais
curtos, que v√£o para o mercado visando satisfazer aos diversos micro-segmentos.
Esta profus√£o de mercadorias multiplica a necessidade de retorno de itens ainda
n√£o consumidos e daqueles j√° consumidos que na maioria das vezes ainda
apresentam condi√ß√Ķes de utiliza√ß√£o, por√©m est√£o defasados mercadologicamente.

A Logística Reversa tem como foco
de atuação o equacionamento do retorno de desses produtos (consumidos ou não),
de forma a recapturar valor econ√īmico, obedecer determina√ß√£o legal, prestar
serviços aos clientes na cadeia de suprimentos, prestar serviços aos clientes
finais através da assistência técnica, dar a destinação adequada a produtos,
entre outros aspectos. Sua implantação em empresas ou setores empresariais
propicia lucratividade, fidelização de clientes, garantia de destino dos
produtos retornados etc., contribuindo de forma decisiva para o reforço de sua
imagem corporativa ou de marca e, conseq√ľentemente, para sua competitividade.

√Č neste contexto de crescimento
de mercados que se insere o comércio pela Internet, denominado de e-commerce,
que tem apresentado crescimento importante nos tempos atuais e em particular no
Brasil. Para se ter id√©ia, as vendas no ano de 2005 foram de R$ 2,8 bilh√Ķes e
est√£o estimadas em R$ 13 bilh√Ķes para 2010, com crescimento de 40% ao ano.

Diversas s√£o as raz√Ķes deste
crescimento: a disseminação de usuários de Internet que cresce a uma taxa de
30% ao ano prevendo-se que atinja um total de 55 milh√Ķes em 2010; pelo
desenvolvimento da banda larga que cresce à razão de mais de 80% ao ano; por
uma maior confiança no sistema devido à entrada gradativa de grandes grupos de
comercio varejista; por uma crescente dificuldade de se ter em demonstração
física a profusão e a variedade de produtos produzidos pelas empresas, entre
outros possíveis motivos.

A flexibilidade na devolução de
mercadorias no e-commerce é apoiada geralmente por legislação que permite ao
cliente n√£o aceitar o produto por diferentes motivos, desde que n√£o
ultrapassado um determinado prazo (no Brasil, sete dias), caracterizando desta
forma um canal sujeito a níveis de devolução normalmente elevados em todo o
mundo. Os níveis de retorno de produtos nos canais de e-commerce, à semelhança de
vendas por telefone ou cat√°logo, menos comuns por aqui, variam de 25% a 35% em
países como os Estados Unidos sendo de 5% a 10% no Brasil.

Assim, tem-se observado a
tendência no País de empresas do grande varejo físico entrar nas atividades de
e-commerce como forma de manterem-se competitivas, o que certamente
intensificará as vendas e em consequência a quantidade de retorno de itens
neste canal reverso.

Varejistas como Extra, P√£o de
Açucar, Magazine Luiza, entre outros, desenvolvem há mais tempo a atividade de
e-commerce. Recentemente entraram neste mercado Wal-Mart e Casas Bahia,
seguidos pela promessa de início do Carrefour em breve.

O impacto desse crescimento e da
operação de empresas desse porte é significativo para as atividades de
Logística Reversa. Na medida em que será cada vez mais necessário estabelecer
sistemas logísticos reversos competentes e competitivos, abrem-se enormes
possibilidades de negócios para prestadores de serviços especializados,
operadores logísticos, liquidadores de estoques residuais, empresas de mercados
secundários, empresas de destinação final, recicladores, empresas de conserto e
reparos, remanufaturadores, recondicionadores de produtos, entre outros. O tema
será discutido, entre outros aspectos da Logística Reversa, em mais detalhes
durante o 1¬ļ F√≥rum Internacional de Log√≠stica Reversa, que ocorre em 13 de
maio, em São Paulo, com apresentação de cases e palestras nacionais e
internacionais.

Assim, a Logística Reversa pode
ser, em todos os setores de sua atuação, uma das melhores oportunidades de
enfrentamento da crise mundial por que passamos, se estruturada de forma
eficiente.
Artigo por Paulo Roberto Leite - Presidente do Conselho de Logística Reversa do Brasil (CLRB) e professor universitário.

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